Domando a complexidade: nossa transição para máquinas de estado com XState

Visualização ampliada: Domando a complexidade: nossa transição para máquinas de estado com XState

Domando a complexidade: nossa transição para máquinas de estado com XState

Alguns meses atrás, nosso frontend era como um armário bem organizado: simples, funcional, sem complicações. A pessoa enviava fotos dos seus documentos, nós validávamos e pronto. Um fluxo simples, direto e sem problemas.

Mas, como todo desenvolvedor sabe, as coisas costumam ficar mais complexas.

Com o tempo, esse armário deixou de ser impecável e virou o quarto de um adolescente bagunceiro. Fomos acrescentando autenticações, fluxos de assinatura digital e mais lógica espalhada. O caos tomou conta da nossa aplicação.

Foi aí que decidimos fazer uma faxina, e o XState foi a nossa ferramenta mágica.

De um MVP a um labirinto em Vue

Quando lançamos a primeira versão do nosso produto, as coisas eram bem simples. Usávamos renderização condicional no Vue para lidar com os diferentes estados da aplicação e, embora não fosse elegante, funcionava. Tudo fluía a partir de uma única rota. Só que, à medida que o projeto crescia, o que antes era uma solução eficaz virou um emaranhado incontrolável de ifs e elses.

Esse emaranhado afetava não só a legibilidade do código, mas também a manutenção. Cada novo requisito significava acrescentar mais lógica condicional, o que aumentava exponencialmente a complexidade do sistema. Os bugs ficaram mais frequentes, o tempo para implementar novas funcionalidades disparou e qualquer mudança pequena podia quebrar partes críticas do fluxo. O sistema ficou frágil e claramente insustentável para escalar.

Quando chegaram os novos fluxos de reutilização de identidades e de assinatura digital, percebemos que não dava mais para seguir remendando a lógica existente. O sistema havia chegado a um ponto de inflexão em que ajustes incrementais não seriam suficientes. Foi aí que ficou claro: precisávamos de uma mudança profunda na nossa arquitetura para avançar de forma sustentável.

XState ao resgate: o GPS da nossa aplicação

Quando exploramos soluções, consideramos opções como o Redux ou simplesmente continuar acrescentando lógica personalizada no Vue. Escolhemos o XState porque ele nos oferecia uma estrutura muito mais clara para lidar com a complexidade crescente da nossa aplicação.

Se você não conhece, o XState é uma biblioteca que implementa máquinas de estado, um conceito que permite modelar os possíveis estados de um sistema (por exemplo: "inicial", "processando", "concluído") e as transições entre eles de forma muito clara e controlada. Em vez de condicionais espalhados, as máquinas de estado permitem definir esses fluxos de maneira declarativa e precisa, o que facilita muito entender e manter a lógica da aplicação.

O Redux é excelente para a gestão de estado global, mas exige muito código adicional para lidar com transições complexas entre estados. Além disso, a lógica personalizada do Vue, ainda que flexível, tinha nos levado ao problema inicial: era difícil de manter, difícil de escalar e difícil de entender para quem estava chegando ao time.

Já o XState nos permitiu modelar os estados da aplicação de forma clara, eliminando o caos dos condicionais e nos dando um mapa preciso de como os estados e as transições fluíam. Além disso, seu suporte nativo a TypeScript reduziu erros, e sua independência de framework nos dava a flexibilidade de migrar para outros frameworks no futuro sem reescrever a lógica central dos estados.

Transformação: do caos à clareza

Adotar o XState nos permitiu reestruturar nosso fluxo de autenticação e validação desde a base. Dividimos cada subfluxo em uma máquina de estado própria. Depois, criamos uma máquina “mestra” que orquestrava essas submáquinas. Algo como um maestro regendo uma sinfonia.

E o melhor de tudo é que agora cada estado e cada transição estão claramente definidos.

A diferença foi enorme, não só pela clareza do código, mas também por ferramentas como o inspetor do Stately, que nos deu visibilidade total de como os estados da nossa aplicação se comportavam em tempo real.

Com esse inspetor conseguimos visualizar graficamente cada máquina de estado e suas transições, além de obter um histórico detalhado de como os atores se comunicam na nossa aplicação. Esse recurso nos permitiu rastrear com precisão os eventos enviados entre atores, identificar possíveis gargalos e depurar fluxos complexos com facilidade.

E o desempenho?

Além de melhorar a clareza do código, o XState se mostrou extremamente eficiente.

Ele nos permitiu definir ações específicas em cada transição, salvar e restaurar estados com facilidade e até tratar eventos de forma assíncrona.

E, o melhor, tudo isso sem nenhuma dependência externa, mantendo o bundle leve. Um verdadeiro alívio.

Algumas dificuldades no caminho

Implementar o XState não foi um caminho totalmente livre de obstáculos, e vale saber disso se você está pensando em adotá-lo no seu projeto.

Como qualquer tecnologia nova, exigiu uma curva de aprendizado, especialmente para as pessoas do time que não conheciam o paradigma de máquinas de estado.

Embora o XState ofereça muitas vantagens, aprender a usá-lo de forma eficaz exigiu tempo e provavelmente vai exigir mais tempo e esforço quando novos desenvolvedores entrarem no time.

Ainda assim, o que ganhamos em clareza e organização superou de longe os desafios iniciais.

O que aprendemos

Olhando para trás, o maior aprendizado foi perceber como uma boa arquitetura pode transformar por completo um projeto. Sair de uma lógica espalhada e caótica para uma estrutura organizada e clara nos permitiu retomar o controle da nossa aplicação.

Além disso, percebemos que investir tempo em aprender uma ferramenta sólida como o XState, ainda que no início pareça caro, dá frutos no longo prazo.

Hoje, as decisões que tomamos naquele momento continuam nos beneficiando não só em eficiência, mas também na facilidade de adicionar novas funcionalidades sem comprometer a estabilidade do sistema.

Nosso mapa rumo a um frontend sem caos

Adotar o XState mudou completamente a nossa forma de lidar com fluxos complexos no Vue. Devolveu a visibilidade e o controle sobre o estado da nossa aplicação.

Se você está navegando em um oceano de complexidade na sua aplicação frontend, eu recomendaria dar uma chance ao XState. Ele não é só uma ferramenta, é uma abordagem que muda a forma como você enxerga e estrutura seu código.

Na Soyio, adoramos encarar esse tipo de desafio e buscar soluções que não resolvam apenas os problemas imediatos, mas construam um futuro mais sólido e escalável.

Para nós, a verdadeira chave está em criar soluções claras, robustas e fáceis de manter. Resolver problemas complexos faz parte da nossa essência.

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